Por Consuelo Blocker

Nos anos 90, lembro de ter lido um livro fantástico, The Popcorn Report, de Faith Popcorn, consultora de marketing e captadora de tendências de comportamento. Apesar do nome bizarro – algo como “Relatório da pipoca”, um trocadilho com sobrenome da autora –, a publicação abria os olhos a um novo comportamento humano: o “cocooning” (casulo em forma de verbo, ou seja, abrigar ou esconder).

Faith havia reparado em como a população começara a se abrigar em casa: o lar virava um casulo, que precisava ser bonito, seguro, aconchegante, confortável para viver e, eventualmente, também para trabalhar! As casas tomavam formas para acolher esse novo comportamento. E se de casa deveríamos trabalhar, o seu design teria que refletir isso – o “novo trabalhar” significava um ambiente não somente propício, como também estimulante. A internet e a tecnologia, claro, alavancaram essa tendência.

A conclusão é que, se o “cocooning” é uma experiência positiva, dali sai uma borboleta. Pois como já cantava Barbara Streisand: “People who need people are the luckiest people in the world!” (Gente que precisa de gente é a mais sortuda do mundo! Nossa, soa pior na tradução! rsrs)

Tudo isso para dizer que o iSaloni, Salão Internacional do Móvel de Milão, está para começar. O principal destaque de 2015 é a temática Workplace3.0, e a Bontempo estará lá para absorver e compartilhar as novidades e últimas tendências dos grandes nomes do design. O iSaloni é craque, sempre capta o zeitgeist, o que há de mais importante no ar! E eles entenderam que, também no trabalho, o ambiente tem que ser positivo, agradável, elegante e estimulante! E por ambiente criativo não queremos dizer escritório. Hoje, temos visto que o trabalho acontece em todo lugar: no ônibus, nos aeroportos, no jardim, em um cantinho acolhedor de casa… Certamente, essa é uma das grandes diferenças deste século versus o anterior.

Eu, por exemplo. Tem dias que prefiro trabalhar na minha escrivaninha, e outros que prefiro estar na cama, como também na sala ou até no jardim com o celular. Mas vejo mais e mais escritórios com “open spaces” que buscam luz e comunicação entre colegas e ideias. Outro fator são as variáveis das metrópoles: trânsito e distância pedem um uso mais esperto do tempo. Criar ambientes flexíveis de trabalho espalhados pela cidade, virou, de certa forma, uma questão de “sobrevivência”! Portanto, a ideia é transformar espaços em catalizadores de produção criativa.

Sem dúvida, estamos falando de uma forma inteligente e sensível de melhorar a qualidade do trabalho e da vida, que iremos descobrir no iSaloni e em duas cidades que levam esse assunto muito a sério no seu dia a dia: Copenhague e Estocolmo, referências do design escandinavo. É para lá que a Bontempo segue viagem, depois de visitar Milão, mostrando como os espaços de convivência dessas capitais proporcionam trocas produtivas entre as pessoas.

Quer se inspirar com as últimas tendências do design internacional?

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